domingo, 27 de novembro de 2011

A GRANDE MURALHA, O GRANDE SENHOR TANNOUS




Apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza! Foi isso que aconteceu no último dia 21 de novembro de 2011, quando meu avô, depois de mais de vinte dias de batalha cumpriu a sua missão. Um sentimento que não tem explicação, que não faz lógica.

O grande senhor Tannous, aquele que por diversas vezes me fez rir de suas bobeiras ou apenas chegava de mansinho, me dava um beijo e ficava quietinho no seu canto. Torcedor fanático do Flamengo, com sua televisão alta, as conversas durante o sono e seu sofá com a almofada azul, se fez presente na vida dos filhos, netos e bisnetos, noras e genro.

As quatro gerações iniciadas com um casal de libaneses que vieram para o Brasil há muito tempo atrás. Dois libaneses, três filhos, nove netos e, atualmente, quase completando nove bisnetos. Vinte e uma pessoas que hoje estão aqui graças a dois jovens que deixaram tudo para trás e entraram em um navio rumo às terras desconhecidas.

Vô, o senhor sempre foi sinônimo de orgulho para a minha mãe. Ela sempre me contou o quanto o senhor a apoiou em todas as suas escolhas e que ela se tornou a grande mulher que é devido ao grande pai que ela teve. Obrigada vozinho, pois eu tenho o melhor exemplo de todos dentro de casa.

Eu sempre tive a idéia de que meu avô era uma espécie de muralha, grande e forte, inabalável. Eu sabia que ele estava doente, mas eu pensava que ele ficaria bem, que eu iria para Ituiutaba e o veria forte na sua camiseta branca e deitado no seu sofá. Infelizmente, isso não aconteceu. Ele foi ficando fraquinho e fraquinho até que o Senhor pediu para que ele fizesse parte do céu.

Durante todo esse processo, eu vi meu avô uma única vez enquanto ele ainda estava lúcido. Ele conversou pouco comigo, me desejou parabéns pelo meu aniversário, falou que gostava do meu namorado e me deu um beijo na mão, falando que me amava muito e que eu merecia ser feliz. Depois quando eu voltei a vê-lo, ele não estava tão consciente. Apenas dormia, às vezes abria os olhos e apertava a minha mão, mas os médicos falavam que eram espasmos. Prefiro acreditar que era ele, queria tanto que ele soubesse que eu estive ali ao lado dele por quatro dias, que eu conversei com ele implorando por uma resposta e o quanto eu rezei com toda a minha fé todos os dias em que ele ficou no hospital para que ele ficasse bom.

No fundo, bem no fundo, eu só queria que ele soubesse o quanto ele era importante para mim e que eu o amava muito. Como eu queria que ele soubesse disso, que em alguma parte de todo aquele sono, ele escutasse a minha voz e a grande muralha se reerguesse mais uma vez.

Pelo o que eu entendo da nossa família, ele foi o primeiro Tannous a começar tudo e foi o primeiro a virar um anjo. Eu sei que as coisas podem terminar e serem infinitas, é isso que acontecerá. O nosso amor pelo senhor será infinito e, algum dia, estaremos todos juntos novamente, mas enquanto isso não acontece, nós vamos vivendo e o senhor nos protegerá, iluminando os nossos caminhos e sempre presente dentro de nossos corações.

Amo muito você, Grande Senhor Tannous!


Mariana Tannous Dias Batista