quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

SALDO DE 2010

O que falar a respeito desse ano que em alguns dias terminará? Durante os 365 dias que logo completarão o ciclo, alguns foram caracterizados por muito choro, porém minhas lágrimas derramadas foram transformadas em boas gargalhadas por aqueles que convivem comigo. Conheci pessoas que já conhecia e outras que tive o enorme prazer em ver pela primeira vez. Percebi que os mitos e os tabus que cercam a minha cabeça são frutos exclusivamente dela e que não existe o menor problema em quebrar tais barreiras imaginárias. Grandes surpresas surgiram assim. Teve momentos que tive vontade de “jogar tudo pro ar”, mas agindo racionalmente a vontade passou e o mundo voltou a girar na direção certa. Fiz viagens para longe e para perto, longas e curtas. O que era para ser uma visita de aproximadamente dez dias durou um mês e lá encontrei uma espécie de segunda família. Abri mão de um sonho, chorei, sofri e superei para perceber que era questão de encontrar um sonho maior ainda. Conheci vários garotos, me encantei por alguns, mas gostei com sinceridade apenas de um. Superei pessoas, pois tive a capacidade de diferenciar comodismo e fixação de sentimentos verdadeiros. Com a ajuda dos meus anjos da guarda materializados em pessoas especiais enfrentei meus medos e tento, diariamente, controlar meus fantasmas interiores. Tive a capacidade de enfrentar um professor e entregar uma prova em branco por causa da maneira que esse tratou uma pessoa que eu gosto muito. Acho que meus delírios de consumo estão piores, o que resulta na minha época mais vaidosa. Tentei me afastar de um grande amigo e esquecer um possível amor, foi inútil, ele já tinha criado o seu personagem na minha história chamada de vida que não admitia substitutos. Viajei até Barretos com um grande companheiro, vi um show e voltei para Uberlândia no prazo de poucas horas. Descobri que é a melhor sensação de todas é dormir e acordar com o beijo das pessoas que gostamos. Percebi que não sou tão fresca quanto imaginava, posso ser mais meiga que aparento e muito mais brava quando estou nervosa. Comprei brigas que não eram minhas para defender amigos. Fiquei super bêbada com os amigos da faculdade no primeiro jogo do Brasil na copa do mundo, mas não foi uma bebedeira qualquer, uma espécie de “super porre”. Depois disso parei de beber porque certo alguém me pediu da maneira certa. Fiz uma limpeza nas minhas gavetas e mural de fotografia, em que tirei de tais lugares todas as lembranças do passado que não velem a pena, na verdade foi uma limpeza na alma. Usei o vestido do casamento da minha irmã no ano novo, superstição ou não, hoje tenho o namorado perfeito. Faço drenagem linfática e aulas de kickboxing, faz bem para o corpo e para o ego. Descobri que não importa o lugar, se as companhias forem agradáveis tudo é bom. Tive coragem de escrever uma carta e entregar para a pessoa que gostava. Conheci um ex presidiário (preso por assalto de pessoas e carga) em uma viagem (ele estava sentado ao meu lado durante a viagem), em que senti muito medo, mas a curiosidade foi maior, o que rendeu horas de conversas. Vi um jogo do Flamengo contra o Cruzeiro em um estádio de futebol, detalhe, vestida com a camisa do Flamengo e sentada na torcida do Cruzeiro. Na primeira semana de aula de kickboxing, tomei um soco e passei o final de semana saindo e viajando com o rosto muito roxo. Preparei meu primeiro jantar, com a ajuda da minha mãe, para uma pessoa especial para demonstrar o quanto senti sua falta enquanto ele viajava (vale lembrar que acabei fazendo só a sobremesa e a salada kkkk). Percebi que mensagens ou ligações em celulares têm grande impacto, mas bilhetes manuscritos, ainda, são os melhores. Fiz audiências de conciliação, descobri que existe muita pessoa boa, malandra e sem educação. Aprendi a pedir comida pelo telefone, o melhor jantar de todos. Cozinhei meu primeiro macarrão para o meu sobrinho. Ganhei um livro de um seminarista que conheci por meio do meu blog. Voltei a conversar com pessoas, parei de falar com outras, simplesmente, apaguei-as da minha vida. Passei o meu aniversário longe de casa e incomunicável na companhia de pessoas mais que queridas. Foi o primeiro ano que passo longe da minha mãe, mas eles fizeram com que o dia fosse muito especial. Mas, principalmente, descobri que um jogo de verdade ou conseqüência é algo muito sério, que pode incluir pessoas ao nosso cotidiano de tal maneira que é impossível tirá-las. Hoje sou muito feliz por causa do pedido de uma conseqüência que fiz a alguns meses. Que o próximo e todos os anos sejam assim, repleto de sensações e sentimentos surreais e intensos.
(Mariana Tannous Dias Batista)

E eu termino o ano com aquela sensação de missão cumprida, de que foi um ano muito bem vivido. Termino o ano me sentindo feliz e realizada. "Mariana Tannous Dias Batista"