sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O PAPEL DA MÍDIA NAS PESQUISAS COM CÉLULAS TRONCO EMBRIONÁRIAS

A mídia tem grande importância social, pois é um dos recursos utilizados pelos cidadãos para a obtenção de informações, ou seja, adquirir conhecimento a respeito de um determinado assunto, o que faz com que os veículos de informações funcionem como um elo entre o fato e as pessoas, caracterizados por serem formadores de opiniões.

Ao mencionar o tema referente às pesquisas com células tronco embrionárias, os jornalistas enfrentam os mais variados obstáculos, pois, por não ser um tema em que todos têm conhecimento, tais profissionais devem vincular as notícias de maneira acessível as pessoas, ou seja, com o linguajar apropriado (sem a utilização de termos médicos, mas o texto deve apresentar as informações corretas e completas) e tentarem, ao máximo, se desvincular dos interesses particulares dos veículos de informações e da indústria farmacêutica, por exemplo.

A profissão do jornalista exige que esse tenha como principal objetivo transmitir a veracidade de um assunto para a população e de conscientizá-la, em que o profissional deve agir de maneira imparcial nos fatos relatados. Porém não é o que ocorre, pois a partir do momento que as ações mundiais são baseadas no sistema capitalista, várias notícias transmitidas têm, na verdade, um objetivo implícito. Exemplo disso é se uma grande empresa financia um jornal e ocorre algum fato envolvendo a mesma, o jornal que recebe o capital não fornece a matéria com todos os fatos corretos, seja por omissão ou por distorção da realidade. Assim, como conscientizar a população referente às pesquisas com células tronco embrionárias se esse é um campo novo e que apresenta divergência de opiniões técnicas, sociais e religiosas?

A mídia transmitiu várias informações referentes às pesquisas com células tronco embrionárias, como a revista Veja na editoria de contraste e edição de número 2058 com a matéria “As embrionárias é que curam- Pesquisa na área da cardiologia mostra a superioridade das células de embriões sobre as adultas” e a revista Super Interessante, edição de número 248, com o título de “Só a morte salva- Pesquisadores criam células-tronco embrionárias, capazes de salvar vidas, sem "matar" embriões. Mas a ciência ainda precisa deles. E a polêmica continua.”, por exemplo.

As edições de revistas que abordam o tema foram diversas e com vários exemplares vendidos, já que o assunto aguçou a curiosidade dos cidadãos. Entretanto, a mídia pecou em não abordar na totalidade e com os esclarecimentos concretos os conceitos de vida e morte proposto pela nova ciência, ocorreu à manipulação ideológica em relação à religião, pois as matérias foram baseadas em princípios da religião católica, contrária a técnica nova, sem que os jornalistas recorressem às demais para saber o posicionamento dessas e a maneira sensacionalista, visando o lucro dos veículos de comunicação, como o tema foi abordado, o que gerou mais polêmica e dúvidas nas pessoas. Assim, pode-se concluir que as matérias que visavam elucidar a população a respeito do assunto resultaram em mais divergências de opiniões entre os mais variados setores da sociedade.

Os jornalistas encontram dificuldades ao elaborar uma matéria referente às pesquisas com células tronco embrionárias, pois vários laboratórios não permitem que as gravações sejam realizadas nas dependências do estabelecimento e os cientistas envolvidos são orientados a não darem explicações detalhadas a respeito do assunto, ou seja, falam apenas o que já foi transmitido na mídia ou algum dado que seja interessante a empresa patrocinadora do estudo.

“Tive que escrever uma matéria a respeito do tema para um trabalho de faculdade, porém a dificuldade em encontrar pessoas que estivessem dispostas a debater o assunto foi enorme. Praticamente escrevi minha reportagem baseada em artigos que já haviam sido publicados em outros veículos de comunicação e tive muita cautela para que as informações fossem compreendidas pela população, em que usei de termos técnicos com suas respectivas explicações”, afirmou a estudante de jornalismo Fernanda Rocha, 22.

Tanto a mídia quanto a ciência são ferramentas importantes ao desenvolvimento, em que aliadas apresentam aspectos positivos ao cotidiano das pessoas. Assim, os pesquisadores e cientistas poderiam facilitar o trabalho dos profissionais da mídia que deveriam agir conforme a ética do jornalismo, por exemplo, o que resultaria em mais conhecimento para a população.

(Mariana Tannous Dias Batista)