quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SISTEMA CAPITALISTA


EU, UM PRODUTO DO SISTEMA. EU, UMA CABEÇA PENSANTE

Qual será a verdadeira razão para as pessoas gastarem fortunas em viagens e terem uma enorme dificuldade em doar a mesma quantia aos mais necessitados? Qual o motivo dos seres olharem as vitrines das lojas com tamanha cobiça e ilusão e preferirem fechar os olhos para as desigualdades sociais? Simplesmente, as respostas para tais perguntas podem ser resumidas no conceito de prioridade alheio ou no sistema econômico social que rege os seres humanos ao viverem em comunidade ou, ainda, uma junção de ambas as situações.

O sistema que influencia todas as atividades das pessoas no cotidiano é o capitalismo cujas diretrizes são baseadas no constante acúmulo de capital e na busca pelo poder mediante os objetos e, principalmente, os seres. Porém, tal sistema, propriamente dito, não pode ser responsabilizado pelo estado de caos que o mundo encontra-se, mas sim a conduta humana, visto que a elaboração, o desenvolvimento e a instituição do capitalismo como modelo fora proveniente das atividades e dos pensamentos das pessoas. Assim, o homem promove críticas negativas, diariamente, a uma criação que tem apenas a sua assinatura como fundador.

Querer que todas as pessoas vivessem em um suposto estado de cooperativismo seria algo utópico na atualidade. Que atire a primeira pedra quem não gosta de viver com o máximo de conforto possível ou que não fica feliz por comprar algo de marca. Melhor, que atire a primeira pedra quem abriria mão do suposto luxo que tem para que o outro tivesse uma vida melhor. As pessoas são os produtos do meio, as quais pensam e portam-se conforme os costumes sociais, em que todo comportamento desviante de tais condutas é considerado como errado e inapropriado. Entretanto, em meio à ideologia capitalista, o que foi feito dos princípios e valores que cada pessoa deveria ter como sua base fundamental? É inútil tentar mudar o mundo sem, antes, cada pessoa rever seus conceitos e suas prioridades.

Assim, chego ao foco do problema. Basicamente, não é o sistema que deveria mudar, mas a conduta das pessoas. Ou seja, tais poderiam desfrutar de um conforto proporcionado pelo acúmulo de capital e, mesmo assim, serem caracterizadas por apresentarem uma “cabeça pensante”, em que questionariam e lutariam para que seus direitos fossem assegurados, teriam desejo pelo ensino e a obtenção do maior número de informações possíveis para que fossem mais aptas em suas escolhas, como nas eleições, por exemplo, e não mascarariam os problemas sociais como se esses não existissem, o que resultaria em menos comodismo e mais ação consciente.

Quem sabe se a palavra “eu” deixasse de representar apenas um pronome pessoal do caso reto, ou seja, algo único e singular e tivesse a capacidade de transmitir a idéia de uma massa pensante, a sociedade apresentaria menos alienação em sua estrutura. Dessa maneira, as pessoas pensariam em outro assunto que não fosse capital, pois teriam tempo para preocuparem-se com os problemas alheios e expressariam sentimentos sem sentirem vergonha disso, isto é, deixariam agir feito as máquinas programadas e poderiam voltar a brincar de ser gente.


(Mariana Tannous Dias Batista)


sábado, 14 de agosto de 2010

"Não me falta homem, o que me falta é amor."

Marilyn Monroe, sinônimo de beleza inexplicável, no auge de sua carreira disse que não lhe faltava homem e sim o amor. È muito fácil fingir um personagem e agradar a todos ao redor, o único problema dessa atitude é que a pessoa se “perde no meio do caminho”, ou seja, a principal parte dessa, sua essência, é esquecida.

Ao se pensar na palavra amor, o significado de tal remete apenas a aspectos positivos, como se tal “substância” fosse essencial ao cotidiano dos seres. Sim, não há menor dúvida de que ninguém vive sem sua overdose diária desse sentimento, assim me questiono a respeito do real motivo das coisas não serem tão fáceis quando o assunto é relacionado ao amor. Isso ocorre, simplesmente, porque as pessoas não vivem suas fantasias, mas lidam com a realidade no cotidiano, na qual os príncipes e princesas apresentam defeitos e não sorriem o tempo todo.

Os efeitos da bomba atômica do amor são sentidos diariamente e de diversas maneiras pelas pessoas, sejam por meio de palavras, os gestos, as ações e, até mesmo, as brincadeiras. Exemplos disso é a capacidade que um sorriso sincero tem de iluminar alguém tanto quanto a energia elétrica, um olhar profundo é capaz de transmitir as mais sublimes mensagens que o coração oculta, pois os lábios não sabem como transmitir a intensidade de um sentimento ou as ações como estender os braços ou oferecer um colo para o outro quando suas lágrimas teimam em prevalecer mais que uma boa gargalhada.

Inconstante, o amor não escolhe maneira e nem pessoa para acontecer. Ou seja, é representado por uma mãe que chega a ser inconveniente apenas para não ver seu filho triste, em que essa faz de tudo e mais um pouco para melhorar o humor de sua prole e se não consegue sofre junto como se o problema fosse seu ou quando uma amiga fala às verdades que ninguém teve a coragem de falar, o que faz com que a pessoa fique pior, mas esse é o sentido da amizade, se preocupar e ficar sempre ao lado do outro nas mais variadas situações. Assim, o amor pode ser resumido em um querer bem do próximo e fazer de tudo para que isso ocorra, mesmo que implique em abdicar de suas próprias vontades e sentimentos.

Quando menos se espera as pessoas encontram alguém para compartilhar a vida, mas não apenas as coisas boas, pois não teria graça. Desta maneira, surge um companheirismo para as atividades que nunca foram imaginadas, as confidências são trocadas ao ponto da intimidade ser estabelecida e as loucuras são vividas de maneira intensa. Assim, as pessoas podem ser elas mesmas, sem fingimento e mentira, em que um reconhece o outro apenas pelo olhar e tentar fingir uma situação ou omitir outra é inútil, pois parece que os pensamentos mais secretos são “estampados na testa”. Eu sou a prova disso, pois não querendo agradar uma pessoa foi quando eu me encontrei de verdade, esqueci um personagem e vivi como sempre desejei, sendo eu mesma. E fui muito feliz assim.

A vida é feita de escolhas e caminhos a serem seguidos, o que faz com que os mais variados tipos de pessoas sejam personagens de um livro com páginas em branco escritas diariamente. Em meio a uma dessas estradas, caso encontre uma pessoa com a qual você possa compartilhar os acontecimentos cotidianos, que te faça chorar por sentir raiva de determinadas situações, que provoque uma vontade de sumir, mas que tal desejo resulte em uma saudade incontrolável e, principalmente, que seja aquela pessoa que te faça rir sempre e em apenas mencionar seu nome seus olhos ganharem um brilho especial, definitivamente você será uma pessoa de sorte. Tal pessoa pode ser apelidada como o amor da sua vida, um grande amigo, uma paixão avassaladora ou um grande companheiro. A definição precisa não existe, em que a única certeza é que essa pessoa será responsável por provocar um sentimento inexplicável, o mais próximo que o surreal pode atingir no quesito de realidade.
(Mariana Tannous Dias Batista)



domingo, 8 de agosto de 2010

Meu pai, meu herói e meu bandido.

Pai palavra com apenas três letras e, ao mesmo tempo, com diversos significados. Seres que foram geneticamente ou culturalmente programados para amarem seus filhos mais que tudo que exista nesse mundo, mas de complicada definição quanto à importância dessa figura no cotidiano de suas proles.

Cada pessoa tem um estilo de pai e, consequentemente, uma relação de afinidade estabelecida com esse. No meu caso o homem que fora destinado a ocupar tal papel chama-se Frederico e, mesmo com seu nome significando dirigente da paz, esse é de complicada convivência, mas é bastante gratificante sua presença e triste sua ausência.

Meu pai, meu herói, meu bandido e minha vida. É aquele que me manda trocar de roupa quando saio a noite para não admitir que sua filha cresceu, que fala um monte de bobeira em tom de brincadeira para que a verdade não doa tanto, que implica com a quantidade de comida do meu prato e, mesmo assim, pede para eu escolher os restaurantes quando saímos, que critica todos os namorados para mascarar um ciúme implícito em todas as frases ditas a respeito desses e que me morde nos braços, deixando-os roxos e até com pontos vermelhos de sangue, para demonstrar que me ama. Sim, eu não tenho um pai convencional e, muito menos, tradicional. Sou grata por isso!
É um típico representante do egocentrismo que não aceita ser contrariado. Se ele disse algo, aquilo passa a ser verdade universal e tentar convencê-lo de que está errado sobre determinado assunto é algo inútil, pois além de manter a história com vários detalhes ainda apresenta diversos argumentos para sustentar sua versão. Dessa maneira já brigamos feio por pouca coisa, pouca mesmo, pois quando o assunto era importante, os discursos foram ouvidos de uma distância que ultrapassa a separação entre os estados de Minas Gerais e Tocantins, o que me fez chorar por diversas, mas, hoje, exerce grande influência em minha personalidade, pois me ensinou a batalhar por aquilo que acredito mesmo que existam vários obstáculos no caminho da conquista.

Os especialistas afirmam que os pais devem saber dizer não aos filhos, como se essa fosse uma regra escrita em algum manual que tais deveriam ler durante a gestação. Nesse ponto me questiono, onde meu pai estava que perdeu essa parte do livro? Brincadeira para mencionar que ele nunca me negou nada, pois é aquele estilo de pessoa que abre mão de seu conforto ou de suas vontades para ver o outro feliz. Quando falo em negar algo me refiro aos mais diversos aspectos que a palavra pode atingir, o que varia de montantes de roupas e sapatos, viagens, uma possível plástica no nariz, uma folha de alface, um beijo no rosto acompanhado com uma mordida de amor no braço ou, simplesmente, uma mentira do bem para que terceiros não interrompessem nossas conversas semanais no celular. Tenho a certeza que posso contar com ele sempre que precisar, nem que seja para matar aula para conversarmos ou apenas falar que sinto a sua falta e o amo demais.

Mas nem tudo sempre foi um mar de rosas. Mesmo não tendo encostado a mão em mim como forma de educar, nem ao menos uma única vez, suas palavras em determinadas situações machucaram mais que a agressão física propriamente dita. Brigamos muito, principalmente em relação a minha escolha de curso superior, em que ofensas foram trocadas e lágrimas derramadas. Mas como em qualquer guerra, uma hora as batalhas acabam e a paz volta a reinar. No fundo eu sei que ele agiu assim, simplesmente, pensando no meu bem e querendo o melhor para o meu futuro, o que fez com que eu sempre buscasse o meu melhor e superar-me cada vez mais como forma de fazer com que ele sempre sentisse orgulho de mim, orgulho de gritar pro mundo que é meu pai.

Meu pai, meu amigo, meu companheiro. Aquele cara que se fez presente ao meu cotidiano mesmo que fisicamente não esteja por perto, o “coroa” que tem atitudes de jovens e alma de criança, o dito cujo com o qual eu posso falar sobre os mais variados assuntos sem censura e muito menos pudor e aquele que me chama para ver os filmes em sua companhia, com a condição de que eu fique de boca calada e não toque no controle remoto. Fazer o que, em todas as casas existem suas regras.

Cada pessoa que conhece meu pai tem uma visão a respeito da pessoa que ele é. Isso ocorre porque ele é mil pessoas em apenas um pequeno corpo com um enorme coração. Um pequeno grande homem, o sistemático bizarro, o sério carinhoso, o insensível que se comove, o exigente tranquilo, o Dr. Frederico e meu pai, o com defeitos e diversas qualidades, o possessivo liberal, o engenheiro ótimo no gatilho, o que grita e odeia quando falam alto em sua presença. Um homem com características infinitas, com histórias que renderiam um bom livro, um cara que eu tenho orgulho em dizer que é meu pai e que ele é o melhor em tudo, uma espécie de herói cujo posto ninguém consegue ocupar. É aquele que foi e é tão importante e único para a formação do que sou hoje, em que as palavras “obrigada por tudo” não teriam sentido perto do quanto sou grata a ele e a expressão “eu te amo” não teria a capacidade de transmitir a intensidade de um sentimento inexplicável.


(Mariana Tannous Dias Batista)