terça-feira, 1 de junho de 2010

ESTADO CIVIL: FELIZ

No dia 12 de junho, as pessoas comemorarão a data destinada aos comprometidos, o dia dos namorados. È comum as lojas já estarem enfeitadas com artigos que possam representar o amor e a paixão e idéias para surpreender o outro são elaboradas, ou seja, todos os detalhes são revisados minuciosamente para que tudo seja especial, inesquecível. Não sei se é pela época do ano propriamente dita ou pelo tema estar em foco ultimamente, mas concluí que o tal do relacionamento amoroso é “um saco”, pois as pessoas ficam péssimas quando algo de errado acontece e piores ainda na ausência deste.


Os relacionamentos são construídos por meio de vários altos e baixos, os quais são fundamentais ao cotidiano, em que não se exige nada de perfeição, pois essa não existe, já que somos esculturas e nosso barro contém rachaduras, o que varia é à proporção que as pessoas deixam transparecer dessas. Que os relacionamentos vêm acompanhados dos mais variados aspectos positivos e negativos não é segredo pra ninguém, mas como saber quando esses começam e terminam? Como saber quão envolvido a pessoa está com a outra?

É comum as pessoas não se envolverem sentimentalmente com o outro por receio da relação não ter um futuro promissor, entretanto é mais rotineiro ainda quando essas acabam se apaixonando, justamente, por aquela pessoa que nunca imaginaram. Envolver é fácil, assumir que é o difícil. Ficar com uma pessoa é, relativamente, fácil, manter a relação é complicado, mas colocar tudo o que se vivenciou a perder, ocorre em fração de segundos.


Os mais velhos falam que uma pessoa sabe quando está apaixonada. Tudo bem, mas como saber quando tal fato ocorreu? Impossível, pois os relacionamentos começam de maneiras variadas e nem sempre as pessoas percebem isso, notando apenas quando já estão muito ligadas ao outro. Acontecem por meio de uma brincadeira, uma amizade, encontros em festas, uma intensa troca de olhares ou, simplesmente, uma briga. Sim, até durante as brigas é capaz de florescer um amor, já que muitas pessoas só valorizam aqueles ou aquilo quando os perdem.


Cada relacionamento resulta em um novo aprendizado. Com estes, aprende-se a perdoar, esquecer, amar, aceitar e superar, mas aprende-se também que o fim, às vezes, é inevitável e até a melhor solução. Tudo era perfeito, o beijo fazia parecer que as bocas foram desenhadas para se encontrarem e a companhia era ideal, entretanto, perdeu a graça. Para construir um amor são fundamentais várias coisas, mas para perdê-lo, apenas um detalhe é o suficiente. Assim, o coração não bate mais rápido e mais devagar na presença da pessoa, os encontros passam a ser irrelevantes e as atitudes alheias não provocam tanto impacto quanto antes. Sim, a pessoa pode amar o outro intensamente, mas isso não é suficiente para continuarem juntos, ou seja, a relação não é prioridade.


O fato de o romance começar e terminar pode ser considerado, quase, uma verdade universal da vida. Entretanto existem aqueles seres que amam em segredo, os quais sofrem e superam sem que o objeto de tamanho desejo tenha idéia do que aconteceu. Às vezes não chega a ser o caso de um amor platônico, mas apenas uma falta de coragem em assumir que a pessoa se apaixonou e que todas as suas teorias são irrelevantes, em que o orgulho, o medo, o receio e a renúncia assumem o mesmo significado. Significado esse de abdicar da vontade de estar junto para não contrariar certos ideais já estipulados. Qual é o propósito disto? Realmente, não sei.

Cada pessoa tem um papel na vida alheia, em que toda situação vivenciada não é em vão, faz parte da história pessoal de cada um. Nessa metamorfose ambulante que apelidaram de vida, conheci pessoas de maneiras inusitadas, terminei namoros simplesmente por não fazerem sentido, deixei de amar “amores” antigos quando achava que o sentimento era intenso e me apaixonei por relações casuais. Quebrei minhas próprias regras, sofri, superei e aprendi. Vivi intensamente, de maneira surreal, conforme as minhas escolhas e vontades. Afinal, é isso que as pessoas deveriam fazer, ou seja, buscarem suas próprias alternativas de ser feliz.


Imaginei e tentei controlar todos os meus sentimentos, analisei o presente e pensei no meu futuro e escolhi tudo como deveria ser, tracei o meu destino. De repente, nada disso realmente importava, estava sem sentido, então guardei o meu manual de instruções no fundo da gaveta e, simplesmente, comecei a viver sem tentar adivinhar os caminhos do destino.












(Mariana Tannous Dias Batista - Estado civil: feliz)

Um comentário:

Tarciso Júnior disse...

O medo, a ausência, o ciúme,podem tornar o amor romântico um sofrimento. Uso dos questionamentos da Dra. Maria de Lourdes."Por que sofremos por aquilo que era uma promessa de felicidade? Por que continuamos a ter tais sentimentos quando já sabemos que a promessa de prazer trará apenas a certeza da dor?". Acrescento:Mas nós não buscamos a nossa felicidade? Como podemos apostar tudo na certeza da dor? Qual o grau de insatisfação que damos a estes sofrimentos? Sabiamente dizia Thomas Merton: Somos capazes de ir até aos infernos pela pessoa amada.