quarta-feira, 12 de maio de 2010

AMOR

EU AMO, TU AMAS, ELE AMA!

O homem, ser de diversas mutações, uma constante metamorfose ambulante, o criador das mais variadas tecnologias que regem as ações sociais na atualidade. São tantas invenções introduzidas no cotidiano diariamente, tantas formas de controle e de padronização da população, porém, em meio a um sistema capitalista, uma arma ainda exerce grande poder, aquela responsável pelas mais extraordinárias reações da massa, o sentimento.

A bomba atômica foi elaborada, a indústria bélica aprimorou-se e os vírus foram espalhados mundialmente com a intenção de devastação ou de “proteção” a uma determinada causa, porém nada disso tem o menor efeito quando o problema envolve uma pessoa que gostamos. A velha sabedoria popular avisa que os indivíduos morrem e matam por amor, uma fatalidade.

Amor, o sentimento mais sociável de todos, pois não sabe surgir e nem se cultiva sozinho, sempre está acompanhado por alguma outra coisa, seja o ódio, a raiva, o “desejo”, o carinho, a amizade, o ciúme ou até mesmo o tédio. Uma palavra de apenas quatro letras, mas com o efeito inexplicável, em que se descobre a existência de um coração que bate além da função designada a esse na pessoa mais “fria” de todas, quando essa se depara com o tal ser de outro mundo.

Mas afinal, o que se entende por amor? Pergunta de difícil resposta, em que até mesmo o dicionário apresenta diversos significados, dentre eles o de afeição, o vínculo afetivo, dedicação carinhosa e o apego. Sim, amor é isso, mas não somente tais características, o qual implica o querer bem, a preocupação diária, uma felicidade sem sentido em apenas estar junto, uma saudade gigantesca na ausência, um respeito fundamental, uma lealdade essencial, é poder compartilhar segredos, fazer confissões e se sentir bem com isso, é conversar durante horas e ainda ter assunto para mais várias outras, é defender sempre e “comprar uma briga” por aquele que se ama e é ser feliz com as coisas simples, ou seja, não fazer absolutamente nada de mais e se sentir realizado por isso.

Eu amo, tu amas, ele ama! Mas amamos a quem? Existem diversas formas de amor, aquele entre homem e mulher, amigos, família, animais, trabalho e, sim, objetos. Mas não se engane, cada pessoa ama de uma maneira, com intensidades que são tão opostas ao ponto de provocar tamanha empolgação e tédio simultaneamente. Existem aqueles que amam incondicionalmente e querem que o mundo saiba disso, como aqueles que amam na mesma proporção e não demonstram e, ainda, há seres que não admitem isso, amam, sofrem e superam sem que ninguém perceba o que aconteceu. Extrapolando as barreiras da física encontram-se dois grupos, os que procuram e acreditam na alma gêmea, em que cada pessoa tem sua metade específica, aquela que a completa em todos os sentidos e os que se dizem “frigideiras”, ou seja, a sua “panela não tem tampa”.

O famoso “frigideira” é aquela pessoa que não precisa de uma relação amorosa para ser feliz, em que priorizam mais as relações de amizades. Geralmente, são adeptos as “relações bandidas”, termo popular utilizado para designar uma relação sem compromisso, pois se sentem sufocados em relacionamentos sérios. Apaixonados incondicionalmente pela liberdade, não abrem mão desse recurso por qualquer pessoa, em que “gastam o seu amor” com amigos, trabalho, família ou “affair”, ou seja, simplesmente com aquilo e aqueles que lhes proporcionem algum tipo de prazer, os quais não estão à procura de um grande amor, caso aconteça ótimo, se não, o mundo não acaba por isso.

Tantos filmes, músicas e livros foram elaborados com o amor como tema central, diversos estudos e matérias científicas foram escritas para tentar entender o que é esse sentimento e quais os efeitos dele nas pessoas e, como resultado disso tudo, as pessoas ainda têm vários questionamentos sobre o assunto. O amor assusta, gera felicidade e decepções, além de momentos únicos, mas qual seria a graça da vida se tudo fosse previsível? Sim, o amor pode ser classificado como surreal e, sinceramente, dele, como da vida em geral, quero só o inesperado.


(Mariana Tannous Dias Batista)

Um comentário:

Anônimo disse...

O desejo é uma das características do amor romântico. Não absolutamente o desejo carnal, mas o desejo daquilo que falta. E uma das coisas que eu acho mais interessante no amor, é o fato de termos o desejo de se unir à pessoa amada, para compatilhar, não somente das alegrias, mas também das tristesas e sofrimentos. Parabéns pela audácia de escrever sobre um dos verbos mais difíceis da vida.